Síndrome Visual Associada ao Uso do Computador (CVS)

Síndrome Visual Associada ao Uso do Computador (CVS)

O uso do computador por horas consecutivas pode desencadear sintomas como cansaço visual, cefaleia, olho seco, vermelhidão, sensação de corpo estranho, ardência, além de dores no pescoço, nuca e costas. Alguns autores tem definido a fadiga visual associada ao trabalho com computador como Computer Vision Syndrome (CVS – Síndrome visual associada ao uso do computador).
O cansaço é uma reação natural dos olhos à tensão a que são submetidos, já que o usuário precisa forçá-los constantemente para conseguir foco e enxergar imagens bem definidas a partir de pontos minúsculos chamados pixels. . “Quando lemos material impresso, geralmente lemos em ângulos agudos. No computador, olhamos para pixels com margens embaçadas. O olho tem o constante trabalho de focar”, diz a oftalmologista americana Mary Green“. Juntamente com a tendinite, causada pela repetição de movimentos do mouse e no teclado, a Síndrome Visual Associada ao Uso do Computador  é uma das características da força de trabalho moderna.
Os erros refracionais como: miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, interferem de forma direta nos sinais e sintomas da fadiga visual, quando não se encontram corrigidos ou estão corrigidos de maneira inadequada, seja através de óculos ou lentes de contato.
O ambiente de trabalho: iluminação inadequada, ar condicionado, posicionamento do monitor, influem de maneira significativa nas alterações do filme lacrimal.
A pessoa que está em frente ao monitor permanece com a atenção e o olhar fixo sobre a tela e, por este motivo, reduz o reflexo do piscar normal em até 30%. É o ato de piscar que renova e distribui o filme lacrimal sobre a superfície ocular para que ele cumpra suas funções de lubrificação, nutrição, desinfecção e óptica. A baixa umidade do ar e ambientes climatizados também favorecem maior evaporação da lágrima, provocando sintomas de olho seco.
Quanto à posição, o ideal é que o monitor fique um pouco abaixo da linha dos olhos, forçando as pálpebras superiores a diminuir a área de exposição ocular.
Algumas dicas para reduzir os sintomas:
– Fazer intervalos. Recomenda-se um intervalo de cinco minutos a cada meia hora de trabalho e olhar objetos ou paisagens à distancia.
– Diminuir a altura de seu computador. Pesquisas apontam que o mais adequado é um monitor que esteja 15 graus abaixo da sua linha do horizonte.
– Utilizar colírios lubrificantes e realizar exercícios de piscar, que ajudam a manter os olhos lubrificados durante o dia.
– Ajustar a iluminação da sala e evitar reflexos de luminárias e janelas sobre o monitor. É recomendável o uso de proteção de tela.
– Evitar ventilador ou ar condicionado direto sobre o rosto.

– Verificar junto ao oftalmologista a necessidade de prescrição de lentes corretoras.

Hellen Macedo. Médica Oftalmologista. Especialização em Oftalmologia pelo Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza – Universidade Federal do Pará (UFPA). Título de especialista em oftalmologia conferido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Membro do Conselho Brasileiro de oftalmologia.
24/08/15 12:17:16: Robson Koyama: Ceratocone

Para falarmos de ceratocone, precisamos inicialmente saber o que é a córnea. Esta pode ser considerada a primeira camada do olho, a primeira barreira que a luz precisa atravessar para focalizar a imagem na retina; é a primeira lente do olho, com maior poder (“grau”) efetivo.

Normalmente possui forma mais regular, gerando 1 ou 2 focos de imagem apenas (emetropia/hipermetropia/miopia e astigmatismo, respectivamente)

Por vezes, a córnea apresenta superfície com conformação bem mais irregular, gerando vários focos de imagem (astigmatismo irregular), e assim, baixa acuidade visual, distorções grandes de imagem, fotofobia, dentre outros sintomas.

Ceratocone é uma das doenças que podem ser responsáveis por este astigmatismo irregular. Trata-se, portanto, de uma degeneração da córnea, em que esta apresenta uma fragilidade estrutural (alteração de sua biomecânica), resultando em afinamento e abaulamento progressivos, adquirindo um formato semelhante a um cone

Esta doença tem início mais comumente na puberdade, é bilateral, mas frequentemente assimétrica, progressiva e pode ser suspeitada por trocas frequentes de óculos devido a rápida progressão refracional. Normalmente manifesta-se por alta miopia e alto astigmatismo.

Possui forte relação com alergia ocular, sendo o prurido seu principal fator de progressão. Possui ainda associação com doenças sistêmicas: síndrome de Down, Marfan, Ehlers-Danlos, osteogênese imperfeita, atrasos de desenvolvimento em geral, atopia etc.

O diagnóstico se dá através de alguns sinais do exame clínico e de exames como topografia ou tomografia corneanas. O tratamento consiste principalmente em promover a melhora  visual, não apenas quantitativamente, mas qualitativamente; além de tratar a alergia, quando presente.

Em estágios iniciais, isso pode ser obtido apenas com o uso de óculos. Em estágios moderados e mesmo avançados, obtém-se esse incremento com o uso de lentes de contato rígidas gás-permeáveis, que têm o objetivo de regularizar a superfície corneana anterior durante seu uso, e assim, melhorar a visão. Hoje em dia, estão disponíveis numa diversa gama de modelos/desenhos, permitindo conforto aliado a melhora visual significativa.

Quando não se consegue boa adaptação de lente ou a pessoa está intolerante as mesmas, pode-se recorrer ao implante de anel intra-estromal, com o objetivo de regularizar a superfície corneana e, assim, facilitar a adaptação das lentes ou mesmo a prescrição de óculos.

Em útimo caso, em situações de ceratocone extremamente severo, onde não se consegue adaptar lentes ou quando estas não promovem melhora da acuidade visal, nem há mais indicação para implante de anel, recorremos ao transplante de córnea, seja de espessura total (ceratoplastia penetrante) ou parcial (ceratoplastia lamelar anterior profunda). É importante frisar que a recuperação visual pós-cirurgia é lenta, e muitas vezes será necessário usar lentes de contato para melhora efetiva da visão.

Além das opções de tratamento citadas previamente, dispõe-se de um procedimento que não tem o intuito de melhora visual, mas sim de estabilizar a doença, através do fortalecimento do colágeno do estroma corneano: o crosslinking do colágeno corneano.

Enfim, atualmente dispõe-se de um vasto arsenal terapêutico para a melhora da qualidade visual nos pacientes com ceratocone. Se você tem ceratocone, isso não é uma sinônimo de transplante de córnea ou de “cegueira”. Pelo contrário. Procure um oftalmologista com conhecimento na área e veja o quanto pode melhorar.

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